Minha experiência com gestão da experiência do cliente no papel de gestor de academia.
Esse texto foi provocado por minha participação no evento Club Xperience organizado pela Alliance Fitness que incluiu o lançamento do livro Gestão da Experiência do Cliente em Academias, organizado pelo Marcos Tadeu com 7 coautores e prefácio do lendário Thomas Plummer. Ao final da descrição da minha experiência com o tema reproduzo um parágrafo de cada um dos autores do livro, que já li e recomendo, para sua degustação.
Hoje todos nós, de uma forma ou de outra, somos
convidados, quase que diariamente, a fazer uma avaliação da satisfação e
recomendação, de um produto ou serviço. A maioria dessas enquetes é baseada no
Net Promoter Score – NPS, criado por Fred Reichheld e levado a público em 2003
no artigo da Business Harvard Review e depois em 2006 no livro best seller “The
ultimate question” (A pergunta definitiva) que por sua simplicidade e
assertividade ganhou a adesão de milhões de empresas pelo mundo.
Meu primeiro contato com o Net Promoter Score foi
em 2009, através de uma ação do Instituto Fitness Brasil em conjunto com a
Design Loyalty, liderada pelo UX designer, reconhecido internacionalmente,
Tennyson Pinheiro. Foram selecionadas 50 academias do Brasil para serem
avaliadas por seus clientes através da métrica NPS.
Naquele momento, como empresa, tínhamos confiança
que nossa performance era bem-vista por nossos clientes, mas não tínhamos
nenhum índice que confirmasse ou desmentisse essa percepção, a não ser
“pesquisas caseiras de avaliação".
Quando o resultado do estudo da Design Loyalty nos
foi informado, foi um sentimento misto de alegria e surpresa. Alegria porque o
nosso feeling foi confirmado cientificamente e a surpresa por termos um índice
bem acima da média do mercado. O NPS do mercado aferido pela pesquisa, era de
51 e o da nossa academia, Via Esporte, 78, nos colocando no nível de excelência
(acima de 75) junto de empresas ícones do mundo corporativo como Google, Lego,
entre outras.
Mesmo com essa grande injeção de ânimo para nosso
trabalho, interagir com os clientes e medir a satisfação de forma contínua era
complicado, ainda assim fazíamos nossas “pesquisas caseiras regulares”, pois
não havia uma ferramenta que nos auxiliasse de forma profissional e ágil.
Passados 7 anos, em 2016, chegou ao Brasil a MX Metrics, braço especializado em fitness do Medallia, gigante de tecnologia especializado na gestão operacional da experiência do cliente. Imediatamente nos filiamos, para desfrutar de uma ferramenta que nos facilitasse o acompanhamento e oferecesse a possibilidade de monitorar nossa relação com nossa base de clientes, visando fazer os ajustes necessários para que a experiência fosse a melhor e mais adequada as necessidades e desejos deles.
De janeiro de 2016 a dezembro de 2018,
foram 36 meses de avaliação contínua com muitos insigths e uma performance que
foi notada pela própria MXM/Medallia e pela sua representante no Brasil, a
Alliance Fitness. Como resultado de nossa performance fomos premiados com uma
placa reconhecendo a atuação da Via Esporte na excelência do atendimento dos
clientes. O prêmio foi entregue por um ícone do setor e CEO da MXM, Blair
Mchaney, o que muito nos orgulhou.
No período entre o início de 2016 e o
final de 2018, a Via Esporte liderou o ranking das mais de 500 academias
espalhadas pelo Brasil, EUA, Canadá e outros países em 25 meses e ficou entre
os 5 primeiros em 11 meses, com um NPS médio de 83, o que nos tornou uma
referência para o setor.
Para me aprofundar na gestão de experiência do
cliente, em 2106, tive a oportunidade de participar de um seminário organizado
pelo MXM Institute em Chicago, EUA sobre o tema, além de aprofundar o
conhecimento nas possibilidades oferecidas pelo Medallia. Lá aprendi e
consolidei conceitos e estratégias que me ajudaram a solidificar a mentalidade
voltada para o cliente, além de trocar experiências com operadores de academias
americanas e compartilhar informações com a equipe gestora do MXM.
É importante salientar que no Medallia, o NPS é
importante fator de avaliação, mas é apenas um dos vários itens que são
medidos, dentro da mesma sistemática, oferecendo uma ampla gama de
possibilidades de captação e análise de informações para transformá-las em
ações corretivas e/ou insights para entender o comportamento dos clientes e
atendê-los em suas necessidades e desejos, sempre que possível, ou pelo menos
informá-los porque, eventualmente, o que eles desejam não é factível,
fomentando uma relação transparente e madura, com resultados efetivos na
fidelidade e, portanto, no resultado financeiro da operação.
Nossa trajetória como proprietário de academia se
encerrou em janeiro de 2019, por opção, mas, sem dúvida, que o investimento na
gestão da experiência do cliente fez diferença na hora de negociar o ponto e a
carteira de clientes, provando que investir em experiência do cliente, mesmo
que possa parecer algo intangível, valoriza o negócio, tornando-a um grande
ativo precificável.
Rememorar esses fatos está diretamente conectado
com o estágio atual dos mercados em geral e do fitness em particular, pois a
experiência do cliente é algo que se tornou mandatório no relacionamento
marca/cliente e já passou da hora de sair do modelo transacional para a assumir
o modelo baseado na experiência do cliente, mas para isso é necessário a
implantação de uma cultura verdadeiramente centrada no cliente. Lembrando que é
essencial colocar os funcionários nessa equação, pois é através das pessoas da
organização que a magia é realizada. Difícil? Sim, mas não há outro caminho.
No estágio atual do mundo dos negócios
com a concorrência exponencial, que não se prende mais a limites físicos de
mercado, onde a comoditização de todos os segmentos é acelerada e onde há muita
informação disponível para qualquer interessado, é fundamental desenvolver a
habilidade de saber transformá-las em conhecimento aplicável na sua empresa.
Para isso é necessário muito esforço e um verdadeiro propósito para assumir o
real foco no cliente, e na minha visão, não haverá outra forma de ser uma peça
relevante no tabuleiro de xadrez do mercado sem colocar as pessoas, clientes e
funcionários, no centro da sua operação.
Uma das principais tarefas nessa jornada é descobrir e se ancorar em boas fontes de informação, como é o caso do livro Gestão da Experiência do Cliente em Academias, uma mescla de especialistas no tema com profissionais atuantes no setor fitness que compartilham e atuam com essa visão.
A seguir destaco um parágrafo de cada autor como um
pequeno mosaico de informações para despertar sua curiosidade.
Thomas Plumer – o mais reconhecido nome do fitness
business mundial
“Qual o futuro do fitness? Não é mais
sobre o exercício, mas sim como eu saboreio o exercício como consumidor”
Vini Dias - Fundador e consultor da CXFit,
ex-diretor de customer experience da LesMills
“O Instituto Gartner notou que 20% dos
clientes que se dizem satisfeitos com a sua empresa, podem deixar de fazer
negócio com ela em um curto espaço de tempo. E o contrário também é verdadeiro;
28% dos clientes que se dizem insatisfeitos, podem voltar a fazer negócio com a
sua empresa. Isso demonstra o quanto a satisfação está ligada à experiência,
porém não define que o cliente está realmente engajado e leal à sua marca.”
Flávia Brunoro – Sócia e diretora operacional das
academias Competition, fundadora da Lidera Skills
“Em um contexto de complexidade,
incertezas e de um futuro cada vez mais automatizado, humanizar a nossa relação
com os clientes é um caminho inevitável e necessário. Estamos falando de
desenvolver a compaixão, a coragem, a força de vontade, entre outras
habilidades socioemocionais. Isso significa colocar mais de si mesmo na relação
com o outro.”
Luis Alt – Fundador da Livework na América
Latina – consultoria global de inovação e design de serviço
“Qual a ideia principal do design de
serviços? Utilizar as ferramentas e o jeito de projetar o Design para pensar na
experiência dos clientes. Design para pensar em aspectos intangíveis, no
relacionamento.”
Patrícia Totaro – Referência em arquitetura e design
para os mercados de fitness e bem-estar
“A arquitetura deve ser planejada de
forma estratégica: nesse conceito não existe bonito ou feio e sim, adequado ou
não para a sensação que queremos transmitir a um determinado público-alvo.”
Fábio Cantizano – Profissional de Educação Física e
diretor executivo da GCAPE consultoria
“Ter um posicionamento bem definido é
essencial para criar estratégias que atraiam clientes e processos que
contribuam para a fidelização.”
Marcos Tadeu – Profissional de Educação Física e
diretor executivo da Alliance Fitness
“Cada cliente que dedica seu tempo para
responder a pesquisa deve ter o melhor retorno possível desse tempo, merecendo
resposta e solução para seus anseios.”
Cleverson Costa – Consultor, Professor e Palestrante
“Muitos gestores tratam os termos Experiência
do Cliente (CX: Customer Experience) e Experiência do Usuário (UX: User
Experience) como sinônimos. Porém eles são bastante distintos e devem ser
tratados em particular, cada um com sua especificidade, para o sucesso das
iniciativas de Gestão da Experiência (MX: Experience Management).
Euriale Voidela – Palestrante, Mentora Empresarial, autora
de mais de 100 artigos e Empresária da área de Experiência do Cliente.
“Para construir uma organização voltada
para as necessidades dos clientes, e para a superação de suas expectativas não
basta somente criar um projeto ou um investimento pontual. Trata-se de uma
mudança cultural permanente na forma de pensar, atuar, posicionar-se no
mercado, de compreender e operar com prioridade no aprimoramento das experiências
de seus consumidores.”
Visões que se complementam, tanto as expostas no
livro como a minha experiência pessoal, como peças de um quebra-cabeça e que
podem ajudar na sua jornada para a cultura Centrada no Cliente (customer
centric).
Disclaimer: O autor não recebeu nenhuma
retribuição financeira de nenhum dos envolvidos, nem há interesse comercial
posterior
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